por
rute araújo
Os portugueses pagam hoje em média mais 10% pelos remédios do que em 2002, arcando com 47% do custo total dos medicamentos comprados nas farmácias. "Não há dúvidas que a política do medicamento dos últimos anos não resultou", defendeu ontem o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), Gomes Esteves.
A prová-lo, acrescentou, está também o facto de o crescimento do mercado de medicamentos nas farmácias se manter perto dos dois dígitos, atingindo mais 8,8% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2004. Segundo o representante dos laboratórios farmacêuticos, as medidas do anterior governo para o sector - em particular a aposta nos genéricos e a introdução do sistema de preço - "atropelaram-se e chegaram a anular-se", produzindo apenas alguns efeitos no primeiro ano.
Os números ontem divulgados mostram que 47% do custo dos medicamentos adquiridos nas farmácias foram suportados pelos utentes, quando em 2002 esta percentagem era de 36,9. O Estado, por seu lado, conseguiu diminuir as despesas em comparticipações de 63,1% para 53% mas, mesmo esta tendência, tem abrandado.
Mas esta poupança nas comparticipações não representa uma boa notícia para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque as despesas totais com os fármacos continuam a subir perto dos dois dígitos. O que se explica por um maior consumo de remédios. "O consumo de embalagens de medicamentos cresceu consideravelmente em unidades, representando 63% deste aumento", disse. Entre as razões apontadas, está a introdução de novos produtos (genéricos e de marca) que, nos últimos dois anos, representam 43% dos 183 milhões gastos.
Nos primeiros três meses deste ano, foram introduzidos no mercado 208 novos genéricos e 37 medicamentos de marca, "o que nos leva a crer que 50% do crescimento do mercado provém da introdução de genéricos, o que é bom para o Estado, que poupa nas comparticipações, mas não é tão bom para os doentes", afirmou Gomes Esteves. Isto porque o sistema de preços de referência faz com que a comparticipação seja feita sobre o genérico mais caro, da mesma família, e não sobre o preço do medicamento de marca, o que em muitos casos leva o doente a pagar mais. Um facto que "não é culpa dos médicos", já que a quota de mercado dos remédios de marca branca ronda já os 12%, defendeu ainda. Na opinião dos laboratórios, deve haver uma mudança no modelo de comparticipações, que devem subir em alguns casos e diminuir noutros.
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