por
francisco almeida leite
O Presidente da República, Jorge Sampaio, chamou ontem ao Palácio de Belém o ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha. O teor do que se discutiu na audiência foi mantido sob reserva, tendo apenas a Presidência da República revelado à Lusa que a reunião tinha sido convocada "em articulação com o primeiro-ministro José Sócrates". Ao DN, fontes políticas adiantam que "é mais que provável que em cima da mesa tenha estado a divulgação para muito breve dos números actuais do défice orçamental do Estado". No Ministério das Finanças, a reunião de Campos e Cunha com o Chefe de Estado foi descrita como um tema a não comentar com os jornalistas.
Na próxima semana, tudo o indica, o governador do Banco de Portugal (BP), Victor Constâncio, deverá anunciar publicamente os indicadores quanto ao défice real do Estado para 2005, que alguns analistas prevêem que possa estar acima dos 6,5% ou mesmo dos 7% do PIB [Produto Interno Bruto]. Um assunto que preocupa Belém e que leva a que na próxima semana também Victor Constâncio seja recebido em audiência pelo Presidente da República - previsivelmente antes da divulgação dos números pelo BP.
pr apoia 'causa turca'. Para além de ter tratado de matérias ligadas às Finanças Públicas, o Presidente da República revelou ontem o seu apoio ao começo das negociações da União Europeia (UE) com a Turquia, tendo em conta a adesão futura deste país. Depois de um encontro com o presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, Jorge Sampaio reconheceu os progressos feitos, sobretudo ao nível das reformas. "Apesar de alguns incidentes de percurso, o processo de reformas da Turquia prossegue e há uma grande determinação das autoridades turcas em prepararem o seu país para a adesão à UE", referiu Sampaio.
No último Conselho Europeu do ano passado ficou decidido que as conversas sobre a entrada da Turquia poderiam começar a 3 de Outubro, sendo a questão de Chipre um dos mais óbvios entraves - a Turquia não aceita a República de Chipre e mantém ocupada a parte a Norte da ilha.
Necdet Sezer agradeceu a ajuda do "aliado" Portugal no processo que levou à cimeira de Dezembro em Bruxelas, bem como na fase seguinte, que envolve negociações complexas. O Presidente Sampaio assegurou que o seu apoio é incondicional, mesmo perante os resultados dos referendos à Constituição Europeia que alguns países, como a França, estão a promover.
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