por
elisabete silva
Missão cumprida. O Sporting venceu e ascendeu à liderança da Superliga, o que não acontecia desde a 16.ª jornada. Os leões sempre tiveram uma certa alergia ao primeiro lugar, mas a duas rondas do final do campeonato não desperdiçaram a oportunidade dada pelo Benfica e, ao derrotar o Vitória de Guimarães (1-0), agarraram a condição de líder na véspera de ir a casa do seu arqui-rival. Tello furou a organização defensiva vimaranense e em Alvalade voltou a festejar-se após a presença na final da Taça UEFA, os leões estão na pole para reconquistar o título perdido há dois anos para o FC Porto.
Como a vontade não ganha jogos e, por mais que os atletas do Sporting demonstrassem querer marcar cedo, a teia defensiva do Guimarães prendia os leões. Um rasgo ou outro de João Moutinho ou Tello lá colocava a bola na área de Palatsi, mas pouco, ou nada, assustava. O Sporting - que não poupou jogadores, como foi a prova da titularidade de Liedson, apesar de estar em risco de suspensão, o que acabou por acontecer ao ver o cartão amarelo por uma infantilidade - esbarrava constantemente nos vimaranenses que não se coibiam de recorrer à falta.
Era, sem surpresa, o Guimarães que começava a somar cartões amarelos; contudo, surpreendente era a forma como jogava. Manuel Machado até havia dito que não se importava de conquistar os três pontos mesmo "com um futebol esteticamente pobre", mas, se não dava espectáculo, também não dava a ideia de querer ganhar, parecendo satisfeito com o empate.
Com um meio-campo povoado, o Guimarães controlava na defesa, mas os ataques eram pouco dignos de uma equipa à procura de um lugar europeu. César Peixoto e Marco Ferreira tinham de correr atrás da bola e tentar fazer sozinhos o que era suposto fazer em equipa. Em vão. Mas a famosa táctica do "autocarro" iria sofrer umas nuances, pois, ainda no decorrer do primeiro tempo, Manuel Machado lançou Targino, que se juntou à até então desamparada dupla no ataque. Era certo que a coesão defensiva era o mais importante, mas os olhos começaram a focar-se na baliza de um muito descansado Ricardo. O Guimarães ganhou velocidade, momentânea, pois o Sporting não conseguiu "agarrar" no jogo, e o Guimarães optou por controlar, caindo o desafio num marasmo de ideias.
Em boa hora chegou o intervalo, que trouxe um Sporting renascido e mais emoção ao jogo. Os vimaranenses voltaram a fechar-se em redor da grande área e, à falta de soluções para mexer o "autocarro", Tello "partiu um vidro" e através de um livre directo deu a merecida vantagem aos leões. A estratégia do Guimarães sofria o percalço mais indesejado e a equipa foi obrigada a acordar para o ataque. Finalmente, Ricardo tinha trabalho e os vimaranenses mostravam ter capacidade para chegar ao golo, explorando bem alguma insegurança defensiva dos leões.
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