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Escolas primárias com horário alargado e um só professor

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sofia jesus  

Todas as escolas primárias vão estar obrigatoriamente abertas até às 17.30, para que os alunos beneficiem de estudo acompanhado e outras actividades extracurriculares. Esta é uma das medidas anunciadas ontem pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para combater o insucesso dos portugueses a matemática. A tarefa passará por uma aposta no ensino, a que não escapa a estabilização do corpo docente. Segundo assegurou ontem o primeiro-ministro, José Sócrates, no ano lectivo de 2006/2007 os alunos vão passar a ter um único professor ao longo dos quatro anos do 1.º ciclo do ensino básico.

As medidas foram anunciadas ontem pelos dois governantes no âmbito da apresentação pública do PISA 2003, um estudo internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que revela que um terço dos alunos portugueses tem níveis muito baixos de literacia a matemática.

Para Maria de Lurdes Rodrigues, a "racionalização dos recursos escolares" é uma das formas de tentar melhorar o desempenho dos alunos, já que, segundo o PISA, muitos dos estudantes com más notas não têm recursos educativos em casa.

Neste sentido, a obrigatoriedade de as escolas primárias alargarem o seu horário de funcionamento até às 17.30 - a maioria, actualmente, fecha às 15.00 - visa permitir que os alunos frequentem actividades extracurriculares, "como o estudo acompanhado, o inglês ou o desporto escolar". Não se trata necessariamente de um "prolongamento da actividade lectiva", acrescentou a governante, à margem de um debate realizado na Escola Secundária da Amadora, uma das 153 instituições de ensino portuguesas que participaram no PISA 2003.

Segundo a ministra, a medida será aplicada em articulação com as associações de pais e as autarquias, "a quem compete a gestão não curricular das escolas do 1.º ciclo". "O rácio de alunos por docente no 1.º ciclo é de 12 estudantes por professor", lembrou a ministra aos jornalistas, assegurando que a medida não implica a contratação de mais docentes, mas antes um aproveitamento dos recursos humanos já existentes nestas escolas. No caso dos estabelecimentos de ensino em que "as dificuldades a nível das infra- -estruturas das salas" exigem a existência de horários duplos (com aulas à tarde), a situação será avaliada de outro modo. Para todos os outros, o alargamento do horário será obrigatório já no próximo ano lectivo. Segundo a ministra, "algumas escolas já o fazem", agora a ideia é "generalizar as boas práticas" a todo o País.


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