por
joana de belém
Chegou discreto e discretamente se foi o rock com que Lou Reed inaugurou o palco do auditório da Casa da Música. Um concerto sem grandes surpresas ou sobressaltos, apenas marcando a diferença pela quase inexistência de temas familiares ao grande público. A excepção veio no final, quando largos minutos de palmas convenceram a banda a tornar ao palco para interpretar o belíssimo Perfect Day. Quase uma metáfora para o dia que ontem se viveu na cidade do Porto, onde as pessoas rejubilaram ante a imponência do edifício que chama a atenção tudo e de todos por estes dias. O mote inicial foi dado pelos nortenhos Clã e a prata da casa não desiludiu, apresentando uma retrospectiva do seu trabalho que percorreu alguns dos maiores êxitos.
Adventurer e The Proposition, ambas do álbum Set The Twilight Reeling (1996), serviram como que um aviso o concerto de quinta-feira à noite não ia ser um repositório de temas dos Velvet Underground nem de clássicos mais reconhecíveis. Muito pelo contrário, apesar do apelo de alguns fãs mais estridentes que gritavam por All Tomorrows Parties.
Em Ecstasy, do álbum homónimo, ao qual voltou mais à frente com Mad, Reed cruzou os braços e invectivou o público a fazê-lo rir "Go ahead, make me smile. I didn't pay for the ticket, so what the fuck." O palco coloriu-se um pouco mais em tons de verde, rosa e amarelo para acolher Guilty-spoken, tema de TheRaven, o álbum que homenageou as palavras "negras" de Edgar Allen Poe.
A dinâmica do concerto começou a fazer-se sentir a partir da melodiosa Talking Book. A guitarra foi relegada para trás das costas para a interpretação deste tema que contou coma preciosa prestação das vozes de Fernando Saunders e Tony "Thunder" Smith, guitarrista e baterista, respectivamente. Um momento apenas perturbado por um súbito problema no som.
No mesmo registo intimista surgiu Slip Away (de Songs For Drella), "uma canção sobre Andy Warhol", o amigo da Factory que ajudou ao nascimento dos Velvet Undergorund, onde o violoncelo ocupou um lugar de maior destaque. A herança da mítica banda nova-iorquina que deu a conhecer Reed fez-se sentir em alguns acordes de Charley´s Girl, do álbum Coney Island Baby.
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