por
vasco
graça moura
Escritor. Eurodeputado
Passaram bem poucas semanas e já deu para se ver. O PS anda numa roda viva e desmultiplica-se em iniciativas, comícios, jantares, cerimoniais, declarações, artigos de imprensa, promessas à queima-roupa, disparadas em todas as direcções.
Mas o PS não tem nada de novo nem de construtivo a propor. Vive da nostalgia macabra do despesismo-guterrismo e tudo o que sabe fazer é saracotear-se a olhar para trás. Criou o caos e propõe-se preparar alegremente o regresso ao caos. Aplicou o laxismo e não deseja a consolidação orçamental. Estimulou o consumismo e o endividamento desenfreados e volta a acenar aos portugueses com essas aliciantes perspectivas. Usou a demagogia de 1995 a 2001 e quer repetir a receita dez anos depois. Para isso, prometerá tudo o que lhe convier em matéria de bodo aos pobres e de engodo à classe média.
Os tempos não vão nada fáceis. Em seis anos de Governo, o PS abriu um buraco que tardará muito a colmatar.
E entretanto, a economia tarda em arrancar, o desemprego tarda em diminuir, a contenção do défice continua a ser problemática, a política anda numa grande e agravada confusão, o País está pouco ou nada motivado, a idade de ouro das ajudas europeias já lá vai.
Portugal não se sente preparado para desafios e ainda menos para sacrifícios. Não saiu da fase mendicante, em que tudo se espera e exige do Estado, não compreende os parâmetros com que se tem de lidar para escapar ao marasmo, não tem ganas, nem empenhamento, nem imaginação, nem criatividade para enfrentar o futuro, não dispõe de instrução, nem de formação profissional, nem de qualificações para ser internacionalmente competitivo. Não consegue ultrapassar um conjunto mórbido de corporativismos estanques, conservadores e sobretudo refractários a reformas.
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