por
D. M.
A posição dos ingleses no sector do vinho do Porto está a mudar. Hoje, os grupos multinacionais estão a comprar muitas empresas e restam apenas quatro sociedades que permanecem nas mãos do capital britânico Symington, Kopke, Taylor e Churchill.
«A presença inglesa já não é, de maneira nenhuma, dominante. Hoje é muito diferente do que acontecia até há 60 anos. A perda da influência inglesa iniciou-se com a II Guerra Mundial e actualmente controlamos, aproximadamente, um terço do sector do vinho do Porto», disse Paul Symington, que também pertence à Associação das Empresas de Vinho do Porto. Marcas famosas, criadas por ingleses, estão agora nas mãos de grupos portugueses (o caso mais evidente é a Sogrape, que possui a Offley e a Sandeman), espanhóis e franceses.
Outra área de actividade onde se nota a presença inglesa é o caso dos têxteis. Neil Broahurst vive no Porto com a família desde 2001 e é o único inglês na Yorkshire-Bruncolor, uma joint venture de capitais ingleses e portugueses. «Devo dizer que muito bem sucedida. Os negócios e as relações funcionam sem dependerem de consulados ou coisas do género. Hoje estamos na União Europeia e não é muito diferente estar em Londres, no Porto ou em Madrid, sermos ingleses, portugueses ou espanhóis para que tudo funcione». Revela mesmo que não sentiu no Porto uma forte identidade com Inglaterra. Reparou nalguns nomes de ruas ou em edifícios, e, claro, nas marcas de vinho do Porto, mas pouco mais consegue relacionar além disso.
A Embaixada do Reino Unido lembra que o consulado no Porto já não tinha grandes atribuições a nível comercial. «Dedicava-se a uma pequena área de apoio a empresas inglesas, sobretudo no sector da construção, que tinham interesses no Norte», explicou o diplomata Ben Lystir-Bynns.
Por decidir está a questão do edifício, situado na nobre Avenida da Boavista. Até pode ser vendido. «Não está nada definido», garante Lystir-Bynns. É uma grande propriedade que o Reino Unido adquiriu há meia dúzia de anos a um privado português. Terça-feira, o embaixador britânico desloca-se ao Porto e terá encontros com os elementos mais representativos da comunidade. «É um exemplo do que se passará no futuro, com visitas mais assíduas ao Porto», frisou ao DN o elemento da embaixada.
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