A influência inglesa no Porto tem tradição. As primeiras relações comerciais remontam ao século XII, época em que mercadores ingleses chegavam às margens do Douro para trocar panos e algodão por vinho, cortiça, mel e fruta. O vinho do Porto começa a ganhar fama e o primeiro tratado comercial é assinado em 1353. Mas será nos séculos XVIII e XIX que os britânicos estabelecem uma espécie de colónia na cidade. Nicholas Comerforde é o primeiro cônsul em 1642 e 23 anos depois chega o primeiro capelão. A Feitoria criada pelos britânicos para dirigir os negócios do vinho do Porto desenvolvia já intensa actividade e a rua passou a chamar-se Rua Nova dos Ingleses, afirmando-se como o verdadeiro centro da actividade comercial na cidade. As fábricas de fiação e tecelagem abundavam e eram, sobretudo, dirigidas por ingleses.
Em 1756, existiam já 30 famílias britânicas na cidade. Eram numerosas e os casamentos e baptizados sucediam-se. Com alguma arrogância e superioridade, ocupam os melhores locais, começando pelo Campo Alegre e acabando na Foz. «Viver à inglesa» foi então uma expressão que se vulgarizou no Porto. Nascem escolas e também a igreja, o cemitério e outros edifícios. Já no século XIX a influência na arquitectura ganha notoriedade. O Hospital de Santo António, a Avenida dos Aliados e o Largo da Ribeira são exemplos disso.
«Foram séculos de fortes relações, muito importantes para o Porto. Hoje não são tão importantes, mas a Feitoria do Porto (hoje British Association) ainda foi a última a ser extinta pelo Império Britânico. Resistiu mais tempo que todas as outras que tinham espalhadas pelo mundo», lembra Germano Silva.
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