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Britânicos perdem 'estatuto' de colónia com peso no Porto

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David mandim  

A comunidade britânica no Porto divide-se hoje entre as famílias tradicionalistas, com raízes seculares no nosso país, e uma nova geração de imigrantes a quem os fortes laços estabelecidos pelo Reino Unido com a cidade do Porto, sobretudo no sector do vinho do Porto, pouco dizem. Os tempos são outros e o recente anúncio do encerramento do Consulado do Reino Unido só surpreendeu os mais apegados às tradições e ao culto da imagem do antigo Império Britânico.

Há décadas que a presença britânica diminui . As empresas do vinho do Porto já não estão maioritariamente nas mãos de britânicos e as famílias que advêm desse laço são quase tão portuguesas como inglesas. Os mais novos, que chegaram nos últimos anos, não embarcam na ideia de integrar uma «colónia» britânica.

São as famílias ligadas ao sector vinícola que compõem o grosso da comunidade britânica mais ligada às tradições. «Seremos cerca de 300, os que temos mesmo ligações afectivas à cidade. Os outros, que não devem chegar aos mil, não sentem o peso da tradição e da relação forte que existe entre o Porto e o povo britânico», explica ao DN Paul Symington, administrador do grupo do sector vínicola, com nome da família que se estabeleceu na Invicta no remoto ano de 1882.

Os mais antigos, com raízes no nosso país desde há séculos, já não se sentem totalmente ingleses. «Não estou num país estrangeiro. Faço parte desta comunidade portuguesa e tenho muito orgulho. Rejeito mesmo essa ideia de colónia britânica no Porto. Há apenas ingleses com fortes laços à cidade e outros que chegaram nos anos mais recentes e não têm a mesma percepção», observa.

A extinção do consulado é, de certa forma, bem entendida. «Foi uma surpresa, é certo. Ninguém contava com isso. Mas, na verdade, não precisamos do consulado para nos "segurar a mão"», confessa Paul Symington. Este britânico não esconde que sente «pena», por ser «uma tradição tão antiga e por representar um elo cultural». De facto, o primeiro cônsul designado por Sua Majestade chegou ao Porto em 1642, logo após a restauração da independência.


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