por
Rita Carvalho
Fernando Madaíl *
Para o Partido Socialista, que no passado defendeu a co-incineração (queima de resíduos nas cimenteiras), esta questão «está, do ponto de vista político, ultrapassada», disse o porta-voz do partido, Pedro Silva Pereira. Em declarações ao DN, o ex-secretário de Estado do Ordenamento do Território, no tempo de José Sócrates, acrescentou, contudo, que as propostas futuras sobre esta matéria ainda não se encontram definidas pelo PS, que, «a seu tempo, apresentará o programa de Governo».
José Sócrates preferiu não se referir directamente à co-incineração. Ontem no Porto, o líder do PS sustentou que, no caso de serem Governo, «os socialistas encontrarão uma solução que responda ao problema dos resíduos industriais perigosos», acrescentando que «esse problema não se resolve com retórica, mas fazendo».
Sócrates referia-se ao anúncio feito pelo ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, de que deixava pronta a avançar uma solução para os resíduos industriais perigosos (ver texto em baixo) e não se conteve «Já lá vão três anos. Por amor de Deus! Isso dá vontade de rir. É tão triste. Ao fim de quase três anos de governação é que diz que agora é que vai ser...»
Ainda relativamente aos Cirver, Pedro Silva Pereira considera que o facto de só se conhecer a proposta de um local e o atraso do processo mostram que esta não é a melhor solução. «É a prova de que foi uma irresponsabilidade abandonar uma solução operacional e trocá-la por coisa nenhuma», referiu.
Mas, a contestação socialista à solução encontrada pelo actual governo não tem seguidores entre os ambientalistas. Rui Berkemeier, da associação ambientalista Quercus - que apoia o tratamento nestes centros integrados -, diz que seria uma «asneira crassa travar este processo». Até porque, disse ao DN, «muitos dos resíduos não podem ser tratados pela co-incineração».
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