por
João Cepeda
Correspondente em londres
As autoridades inglesas anunciaram ontem o encerramento do Consulado do Porto e da Embaixada de Timor-Leste. Um movimento radical na política externa britânica, delineado pelo executivo de Tony Blair, prevê a extinção de 19 missões diplomáticas a partir do próximo ano. As mudanças visam poupar ao Estado inglês quase 130 milhões de euros.
No Porto - uma das mais antigas e acarinhadas relações bilaterais da diplomacia britânica -, a representação passará a ser feita apenas através de um cônsul honorário, tal como já acontece no Algarve, Açores e Madeira. A embaixada inglesa, em Lisboa, passará a centralizar todas as responsabilidades da área comercial.
Jack Straw, o ministro dos Negócios Estrangeiros, reconheceu ontem que a medida foi pensada como forma de compensar os gastos envolvidos no combate ao terrorismo, nomeadamente na protecção de algumas missões diplomáticas em países islâmicos.
Mais importante, no entanto, é a necessidade de reduzir custos à política externa do Governo, sobretudo num ano em que a Inglaterra vai ter de assegurar a organização de dois grandes eventos internacionais a presidência do grupo dos países mais ricos do mundo, o G8, que começará em Janeiro; e a presidência semestral da União Europeia, cuja rotatividade recairá na Inglaterra a partir de Junho.
Estas iniciativas e a nova estratégia diplomática de Downing Street - que aposta em criar missões fortes nos países de crise, como o Iraque, a Líbia, o Afeganistão ou a Coreia do Norte - vão custar muito dinheiro aos cofres do Estado. Uma dado que tem de preocupar as autoridades já que, por norma, os ingleses não aceitam bem estas despesas no exterior. O que em vésperas de eleições, obviamente é um factor de peso.
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