por
manuel carlos freire
A data e a natureza da cerimónia, assim como a presença inesperada do primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, levaram ontem o ministro Paulo Portas a rejeitar veementemente que a assinatura de um contrato na área da Defesa, ligado à segurança marítima, se tratasse de um acto de pré-campanha. A dúvida surgiu porque o Governo está em gestão e o acto ocorreu horas depois do anúncio formal de que PSD e CDS/PP concorrerão sozinhos nas legislativas de 20 de Fevereiro.
«Não é coincidência. É decência», declarou aos jornalistas no final da cerimónia do contrato de instalação do sistema de vigilância junto à costa portuguesa. E o ministro da Defesa voltaria a repetir o «exemplo comparativo» que evocou durante o discurso o seu antecessor socialista, Rui Pena, assinou um documento semelhante - relativo à compra de 12 helicópteros pesados EH-101 para a Força Aérea, «três dias depois deGuterres estar demitido».
«Não queremos mais do que os outros tiveram, mas também não aceitamos menos», frisou o líder do PP, assinalando que a decisão de adjudicar o contrato foi tomada antes de conhecida a decisão presidencial de dissolver o Parlamento.
Quanto à presença de Santana Lopes, anunciada aos jornalistas poucas horas antes da cerimónia e acertada na véspera à noite, Paulo Portas explicou-a com a elevada importância do projecto em causa e que esteve bloqueado cerca de quatro anos. E salientou que a ida do primeiro-ministro ao Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos não podia ser interpretada como um acto de campanha.
Portas não quis comentar a aceitação pelo CDS/PP de um referendo ao aborto (ver página 12) se formar Governo com o PSD, a partir do próximo ano.
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