por
inês david bastos
O dia de ontem em São Bento era para ficar marcado pelos temas europeus. Mas foi um incidente entre o PCP e Os Verdes, por um lado, e o primeiro-ministro, por outro, que acabou por marcar as audiências entre Santana Lopes e os partidos com assento parlamentar para preparar o Conselho Europeu de amanhã e sexta-feira. É que comunistas e ecologistas bateram com a porta e rejeitaram ser recebidos pelo primeiro-ministro, porque Santana, alegando razões de agenda, impôs que a reunião com os dois partidos fosse em conjunto, condição que PCP e PEV contestaram. Argumentando ter o direito de ser ouvidos em separado.
«A coligação CDU (PCP/PEV) termina no momento em que são conhecidos os resultados eleitorais. O PCP e Os Verdes são dois grupos parlamentares diferentes», reagiu, de São Bento, o líder comunista, Jerónimo de Sousa, que acusou o primeiro-ministro de «violar o estatuto do direito da oposição, que tem que ser ouvida em assuntos de política externa».
Santana Lopes não recuou - o seu gabinete justificou ainda que também o PSD e CDS seriam ouvidos essa tarde em conjunto - e Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónia (de Os verdes) abandonaram a residência oficial...sem audiência e deixando para trás um rasto de críticas.
«O primeiro-ministro não estava interessado em ouvir os partidos, apenas em cumprir uma formalidade», acusou Heloísa Apolónia, para quem Santana actuou de «forma autoritária», «profundamente provocatória» e em desrespeito pela Assembleia da República.
A posição do BE. O primeiro- -ministro ficou sem conhecer a posição do PCP e PEV sobre as questões que vão estar em debate no Conselho Europeu. Mas ficou a saber que o BE defende a abertura das negociações para a adesão da Turquia à União Europeia.
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