P edro Santana Lopes apontou a contradição e Paulo Portas uma razão. O que é óbvio - ideia omnipresente nesta novela - é facilmente demonstrável.
Comecemos pela contradição. O Presidente da República pôde falar por absorção imediata do pulsar anómalo dos últimos meses. É suficiente para um entendimento alcalino - e os estudos de opinião escondem a contradição.
Emerge, contudo, um pormenor factual. Jorge Sampaio exerce o cargo há sete anos, herdou uma conjuntura política e lidou com ela. Conviveu com um Governo da sua matriz partidária, supostamente responsável e credível, sem que aparentemente tenha encontrado em algum momento «uma situação cuja continuação seria cada vez mais grave», por «insustentável». Falácia que se pode provar com a demissão do primeiro-ministro António Guterres.
Santana Lopes não tem desculpa mas tem razão. Aconteceu pior, muito pior, ao ponto de se antever o pântano. Sucessivos incidentes com episódios que fustigam a credibilidade de um governo ministros crucificados em Belém enquanto davam corpo à figura de verbo de encher em pleno Parlamento; taxas de alcoolemia que variavam ao sabor do grau autárquico; orçamentos aprovados de forma indigna pela força de um negócio político-privado; contas públicas em derrapagem crescente sem qualquer auditoria presidencial; ministros crucificados na bandeja da hipocrisia.
Santana Lopes tem razão o Presidente era o mesmo e nunca encontrou sintomas de «crise na relação de confiança entre o Estado e a sociedade».
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