por
fernando madaíl
O novo tarifário de água para o consumidor doméstico da cidade do Porto vai sofrer um aumento que, para os 70% dos clientes que gastam oito metros cúbicos, é de apenas 26 cêntimos por mês. Como a factura é bimestral, o vereador Rui Sá pode comparar esses 52 cêntimos com o preço de um café, a vulgar bica, o castiço cimbalino. O aumento para as casas particulares varia desde 0,25 euros (consumos até cinco metros cúbicos) até 1,69 (mais de 20 metros cúbicos).
O acréscimo maioritário de 2,28%, frisa Rui Sá, é inferior à taxa de inflação deste ano e corresponde a menos de metade dos 4,9% do aumento que a Empresa Águas de Douro e Paiva aplicou aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) e aos outros municípios, para financiar a construção de uma alternativa de abastecimento à captação no Douro.
A maior parte dos 150 mil clientes dos SMAS vivem sozinhos, o que justifica o seu consumo de cerca de oito mil litros de água por mês. Os cálculos usados internacionalmente indicam que, em média, num duche gastam-se 30 litros e num banho de imersão 90, que a máquina de lavar roupa consome 100 litros e a de lavar louça 50 litros - e, para escovar os dentes, saem da torneira nove litros de água. Assim se compreende que a zona ocidental consuma, em média, 400 litros por dia e a oriental apenas 100.
O orçamento dos SMAS para 2005, que irá ser votado na próxima reunião de câmara, tem uma poupança entre receitas correntes (rubrica onde estão a venda de água e as taxas de saneamento) e despesas correntes (compra de água, salários, etc.). A diferença disponibiliza o capital necessário para investir na reparação das condutas, que têm mais roturas e por onde se perdeu, só este ano, mais de metade da água canalizada (52%). Nos sistemas mais eficazes, apenas 20% não são gastos pelos consumidores. Fazendo as contas, Rui Sá conclui que, atingindo este valor, podiam poupar-se seis dos 19 milhões de euros que se estima vir a pagar à Empresa Águas do Douro e Paiva.
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