por
texto Anabela Mota Ribeiro
Fotografias de Augusto Brázio
Quem é Mário Soares? O Soares, o Mário, que brincou num jardim com vista para uma casa de malucos. Que apresentou Cesariny a Mitterrand. Que emprestou 20 paus a Luiz Pacheco quando saía, atordoado, de certa morada na António Maria Cardoso. Que acenava a Maria de Jesus da sua cela, no Aljube. O Mário que foi aluno do Cunhal. O Mário a quem o Agostinho da Silva chamava Danton. Que descobre num jornal amarrotado que a América aceitara o fascismo português num projecto atlântico defensor da liberdade. Que gosta de pintura. Que podia ter sido um escritor. Que se encontrou com a História quando as agulhas estavam afinadas. Depois do degredo em S. Tomé, do exílio em Paris, regressou a uma estação apinhada, era gente estarrecida, a clamar pelos seus heróis. Antes disso, reconstituiu os passos do general sem medo, defendeu centenas de perseguidos políticos, conspirou tanto quanto era possível. O Mário, sempiterno da política cá de casa (leia-se: pátria), primeiro-ministro e presidente, a atiçar adversários, a medir a inteligência do Cunhal, a competência do Cavaco. A seduzir o povo. O descomplexado, que afronta uma multidão que lhe é hostil, que sabe o suficiente da natureza humana para nunca ter sido traído. Diz que de si vai ficar uma nota de rodapé nos compêndios de História. Tem uma espantosa relação jubilatória com a vida. Esta semana, o rei fez 80 anos.
Em todos os livros que folheei, artigos de opinião que li, preparando-me para esta entrevista, quase toda a gente diz que há momentos em que parece fechado em si, inatingível. Não se consegue perceber muito bem em que é que está a pensar.
- Se calhar são momentos brancos que tenho no meu espírito. Não dou por isso. Lembro-me do Conde de Abranhos, que não falava, só dizia duas palavras, e como tinha uma testa grande, toda a gente estava convencida que ele dizia coisas maravilhosas.
Numa dessas descrições dizia-se que estava na varanda do palácio, a olhar o rio, e que parecia distante.
Gosto de olhar o mar e o Tejo. A coisa que mais recordo do Palácio de Belém, onde nunca passei uma noite, e estive lá dez anos a trabalhar, é aquela varanda voltada para o Tejo. Tem cores fabulosas, então no Inverno... Quando tinha que reflectir sobre qualquer problema, em vez de estar sentado, ia passear para a varanda.
UE impõe condições para Grécia obter resgate
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Alemanha pronta para flexibilizar plano português
Meo permite ao cliente criar o seu canal de TV
Rinaudo fala do "melhor departamento médico do mundo"
Zebras têm riscas pretas e brancas para afastar as moscas
Feira do sexo quer ser "mais didática"
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN