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Críticos ponderam saída do PCP

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susete francisco  

O XVII congresso do PCP, que decorreu este fim-de-semana em Almada, poderá levar à saída de vários militantes comunistas. Os nomes mais próximos da linha renovadora do partido fazem um balanço negativo dos trabalhos do congresso. «Tristeza», «decepção» ou «desilusão» são palavras partilhadas por estes críticos, que dizem não ter visto no conclave comunista o mínimo sinal de abertura ao debate.

Vítor Sarmento, ex-dirigente da organização regional de Lisboa e ex-presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, é um dos nomes que poderá deixar o PCP antes do final do ano. «Estou a equacionar seriamente essa possibilidade», afirma Sarmento, lamentando que o congresso comunista tenha vindo «confirmar as piores expectativas». «Ainda tive uma réstia de esperança, mas o congresso foi a consolidação do que já vínhamos suspeitando. É com muita mágoa que assisto a esta situação», disse ao DN o ainda militante comunista. E Vítor Sarmento garante que «não está sozinho» nesta reflexão sobre se deixa ou não o partido.

Quem também está a ponderar abandonar o PCP é o ex-líder parlamentar Carlos Brito. Uma hipótese que o próprio admitiu à agência Lusa, adiantando que o congresso lhe deu «fortes razões» para «reflectir» sobre a sua saída. Auto-suspenso do PCP desde 2003 (depois de ter sido suspenso durante dez meses em 2002), Carlos Brito, acusa o partido de caminhar para a extrema-esquerda «burocrática» e «sectária». «Vejo com muita preocupação a situação. O PCP está a dar passos que vão no caminho de uma crepuscularização de tipo marxista-leninista», afirmou ainda. Já afastado da vida do partido, Carlos Brito é um dos mais destacados nomes do Movimento da Renovação Comunista.

Fernando Vicente afirma que «nada na vida está fora de consideração», mas acrescenta que não está no seu horizonte deixar o partido. Este ex-membro do Comité Central - que no congresso defendeu um partido «mais aberto à vida e ao debate» -, diz não ter grande expectativa que o PCP venha a mudar de rumo, pelo menos no curto-prazo. Mas acrescenta também: «Tenho quer ter essa esperança. A médio-longo prazo quero acreditar que alguma coisa vai mudar.» Fernando Vicente, que foi durante cerca de 20 anos um dos principais organizadores da Festa do Avante!, acredita que «o caminho do sectarismo está enquistado no PCP e ainda vai aumentar», mas diz também que «em alguma altura isto vai ter que parar».

Do congresso, diz ter saído «profundamente triste». Mais: «Poucas vezes estive numa situação tão hostil», diz este militante comunista que, antes do 25 de Abril, foi preso e torturado pela PIDE. Mesmo assim, não hesita em repetir a frase e acrescentar que sentiu «medo e repulsa» quando, após o discurso que fez ao congresso, foi «insultado quando regressava ao lugar».


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