por
alfredo teixeira
Apesar de considerarem o projecto da Metro do Porto uma mais-valia em termos de mobilidade, os ambientalistas da associação Campo Aberto consideram que a empresa demonstra «uma preocupante inconsciência ambiental», nomeadamente pelos danos causados pelas obras em jardins emblemáticos da cidade, como os do Marquês, Campo 24 de Agosto e da Avenida dos Aliados.
«Apetrechada com financiamento em abundância, a empresa tem sistematicamente canalizado essa capacidade não em padrões de comportamento ambiental mais exigente mas sim amiúde na destruição do ambiente propriamente dita», afirma Nuno Quental, para quem a Metro do Porto tem «arrasado árvores e jardins que poderiam ser poupados e melhorados». A Campo Aberto dá o exemplo dos jardins do Marquês e do Campo 24 de Agosto, «impiedosamente delapidados com o abate, transplante ou poda violenta de árvores de grande porte». «O que pretendemos agora da empresa é que haja um compromisso no sentido da imagem do antigo jardim ser reposta», acrescenta Nuno Quental.
Já na Avenida dos Aliados «o abate tem sido faseado». Mas é contestado o corte de duas dezenas de áceres e a mutilação de numerosas outras árvores. Mas as agressões ambientais atribuídas à empresa espalham-se por toda a cidade. Desde a Trindade (corte de plátanos), a Campanhã, passando por zonas como a Rua de António Bernardino de Almeida. Para remediar o mal feito, a associação exige que «por cada árvore cortada ou metro quadrado de espaço público destruído, a Metro do Porto plante ou disponibilize, em área a designar pela autarquia, o triplo».
Isso mesmo foi transmitido à empresa ontem de manhã, tendo os ambientalistas entregue na Metro o Certificado de Mérito Arboricida e um exemplar do livro À Sombra das Árvores com História, da autoria de Paulo Araújo, Maria Pires de Carvalho e Manuela Ramos, editado recentemente. «Isto, na esperança de que possa servir de inspiração para uma maior preocupação com o património arbóreo», diz a Campo Aberto.
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