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PS tem «política de direita» e BE é «social-democratizante»

por

P. C.

S. F.  

Fortes críticas ao PS marcam o projecto de resolução política que cerca de 1300 delegados debatem a partir de hoje, em Almada, no XVII Congresso do PCP. «O PS mantém uma orientação caracterizada por uma identificação, nas questões mais essenciais e estruturantes, com as defendidas pela direita e por uma insistente postura e disponibilidade para acordos preferenciais com esta», lê-se no documento que será votado amanhã pelos congressistas. No Comité Central já foi aprovado por larga maioria, com os votos contra de António Filipe, Fernando Vicente e Licínio de Carvalho. Os dois últimos não serão reconduzidos neste órgão.

O projecto reafirma a disponibilidade dos comunistas para a «concretização » de uma alternativa de esquerda ao actual Governo. Mas avisa que o PCP «não está disponível para ser cúmplice de políticas que mantenham uma orientação e práticas de direita». Outro aviso ao PS, partido que os comunistas acusam de ter «pretensões hegemónicas». De resto, os socialistas são incessantemente acusados de terem uma «política de direita» neste extenso documento de 90 páginas.

O projecto critica também a «busca de protagonismo mediático» do Bloco de Esquerda, que «valoriza aspectos acessórios em detrimento de opções de fundo». O Bloco é acusado de ter um «carácter social-democratizante» com «traços de radicalismo de esquerda». E só a «promoção mediática de que sempre beneficiou», segundo o PCP, explica «o alargamento da sua expressão eleitoral».

O documento atribui os desaires eleitorais que os comunistas têm sofrido essencialmente à hostilidade da comunicação social e à «acção anticomunista» dos renovadores que abandonaram o partido e outros que «continuam a invocar a qualidade de membros» do PCP. Estes críticos internos, dando «provas de capitulação ideológica», assumem-se «cada vez mais como apêndices do PS e do BE».

O projecto reafirma que o PCP «deve ter uma larga maioria de operários e empregados». O partido continuará com «uma direcção e orientação central únicas», sem admitir «fracções» internas.


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