A revelação, ontem feita pelo DN, de que a polícia portuguesa seguia um grupo de extremistas muçulmanos hospedados no Porto, nas vésperas do Euro 2004, e os expulsou por recear que preparassem um atentado contra o primeiro-ministro português e outras personalidades, é um indício claro de que nenhum país está hoje ao abrigo do terrorismo internacional. E, se é certo que nada de definitivo se apurou sobre as reais intenções do grupo e que, na falta de elementos mais concretos, a polícia resolveu escolher a expulsão em vez da espera para ver, certo é também que Portugal não está à margem de nada. É, ou tem sido, pelo menos, local de passagem e de repouso de elementos radicais ligados às redes do terrorismo internacional. Portugal não pode continuar a ser, hoje, um País aberto para o terrorismo internacional, como o foi, ontem, para o terrorismo basco. Enquanto parte da classe política, alguns sectores do poder mediático e outros intelectuais - que vêem no reforço dos mecanismos de segurança perigos para a democracia - se divertem a considerar desnecessário fortalecer os serviços de informações, os terroristas passeiam-se por Portugal. Nem os sinais vindos da Europa - de Espanha, da Bélgica, da Alemanha, da Grã-Bretanha, da Itália e agora da Holanda - parecem suficientes para acordar quem deve ser acordado. É preciso dizer que as nossas sociedades democráticas têm uma superioridade essencial sobre o fundamentalismo islâmico: o respeito pelo outro. E isso conduz ao respeito pelas comunidades muçulmanas que coexistem com as dos países de acolhimento - e são maioritariamente constituídas por cidadãos pacíficos. A maioria não pode ser confundida com uma minoria. Mas é óbvio existir «uma internacional do neototalitarismo islamita disposta a alimentar um choque de civilizações», como se salientava há dias num jornal espanhol. Não devemos ser sociedades xenófobas, mas não podemos ser sociedades desarmadas.
JOSÉ MANUEL BARROSO
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