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«Sem poesia estaríamos condenados»

por

maria augusta silva  

Mais de 50 anos de poesia, nome igualmente de referência na tradução de poetas, nomeadamente de Pablo Neruda, de autores gregos e italianos, Albano Martins vai ser, hoje, condecorado com a Ordem de Mérito Docente e Cultural Gabriela Mistral, que lhe foi atribuída no Grau de Grande Oficial pelo governo da República do Chile.

O encontro de homenagem decorrerá, às 18.00, na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, onde é promovido, desde ontem, um seminário literário em torno de Gabriela Mistral, organizado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos e coordenado pela investigadora Ana María da Costa Toscano. A entrega da condecoração a Albano Martins será feita pelo embaixador do Chile em Portugal, Manuel José Matta. À cerimónia preside o prof. Salva- to Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, conhecedor profundo da obra do poeta homenageado.

Que significado tem para Albano Martins a alta distinção que vai receber hoje? «Sou humilde em todas as facetas da minha vida», diz ao DN. Mas é um momento feliz este, não o esconde, até porque, em Portugal, «por vezes, passa-se apressadamente pelas coisas, as pessoas andam muito distraídas e outras preocupam-se mais com o seu próprio umbigo».

Embora seja um escritor não preocupado com a urgência de publicar, o conjunto da sua obra poética, reunida em Vocação do Silêncio e em Assim São as Algas, soma mais de uma vintena de títulos marcados pelo poema da essência, pela palavra da plenitude enquanto dialéctica do corpo e do espírito que esconjura o aturdimento para enunciar um amor audível, tocável, que interage com o Eu e o Outro, quase sempre num minimalismo sublime que alarga o espaço da interioridade e convoca todos os silêncios para potencializar a significação, os sentidos. É assim que, mais uma vez, o encontramos em Frágeis São as Palavras - antologia pessoal (acabada de editar pela Asa), reunindo mais de meia centena de poemas, com retrato do autor assinado por Jorge Pinheiro. A mesma essência solar flui no recente Três Poemas de Amor seguidos de Livro Quatro (da Quasi).

Que lugar tem a poesia num mundo tão cheio de conflitos?


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