por
manuel lopes
madrid
A capital espanhola será o cenário, entre amanhã e domingo, da II Mostra da Cultura Portuguesa, com actividades abertas ao público nas áreas da literatura, pensamento, música e cinema. Esta edição, que decorre no Centro Cultural Conde Duque e na Biblioteca Nacional, abre com intervenções do Nobel da Literatura José Saramago, e do poeta e catedrático espanhol Luís Garcia Montero, que discursarão sobre as literaturas portuguesa e espanhola. A oferta literária será complementada no dia 12 com a mesa--redonda «O Conto Português», com José Riço Direitinho, Filipa Melo, Filipa Paula Soares, o conselheiro cultural da embaixada de Portugal e escritor João Melo e a socióloga e editora espanhola Karmele Setien.
Pensadores, escritores e historiadores espanhóis, como Manuel Rivas, Hipólito de la Torre, Marifé Santiago Bolaños, Jesus Alonso Montero e Maria Tecla Portela Carreiro, analisarão, noutra sessão, a visão que a Espanha tem hoje sobre Portugal. Rodrigo Leão, Mafalda Arnauth e Carlos Martins representarão a oferta musical portuguesa actual, enquanto a mostra do cinema nacional inclui Os Imortais,Cinco Dias, Cinco Noites, A Comédia de Deus, Ganhar a Vida e Vou para Casa.
Esta segunda edição, que até há dias esteve em perigo por falta de financiamento e patrocinadores, teve a colaboração dos Ministérios da Cultura dos dois países, do Instituto Camões e da Câmara Municipal de Madrid, para reunir os 82 mil euros do orçamento, fazendo parte de um programa de continuidade da presença cultural portuguesa em Espanha iniciado no ano passado. João de Melo disse ao DN que já está a preparar o programa de 2005, em que espera ter meios para incluir mais novidades e mais agentes culturais, para poder dar uma «visão mais global e renovadora» da criatividade cultural portuguesa. Nas duas primeiras mostras, por exemplo, faltaram as artes plásticas, facto que este responsável explicou pelas dificuldades orçamentais e organizativas, ausência que será compensada com uma exposição nos próximos meses e a participação na Feira Internacional de Arte de Madrid (Arco), em Fevereiro próximo.
Para João de Melo, esta mostra pretende ser a «expressão da imagem da actualidade cultural portuguesa que ao mesmo tempo procura responder à criatividade de um país próximo e europeu». Em sua opinião, «o modelo já esta consolidado e haverá que dar-lhe continuidade regular e inovadora para poder transmitir à sociedade espanhola a actualidade e riqueza intelectual, literária, musical e artística portuguesas».
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