por
ana Marques Gastão
Abre o seu livro dizendo que a cidade contemporânea é um «work-in-progress». Está a falar também das ideias de velocidade, de construção?
Falo sobretudo da mutação permanente à qual as cidades estão sujeitas. Guardamos a ideia de que eram entidades estáveis. Não seria, afinal, a razão da sua estabilidade que lhes dava a qualidade de centralidade? Eram o lugar para onde se emigrava. Isso alterou-se radicalmente a partir da década de 70. Hoje as cidades mudam todos os dias.
O que reafirma a ideia de construção...
Claro, muito. E a ideia de circulação permanente de pessoas de cidade para cidade, de país para país. Isso implica uma alteração constante na paisagem arquitectónica, urbanística. Por isso digo que não há cidade nenhuma que não esteja em obras. É possível construir ficção sobre estas cidades em construção.
Está também a aludir a uma memória cultural? Quando falamos de cidades, referimo-nos ao modelo de Wordsworth, à «capitale infâme» de Baudelaire, à urbe--prisão, de Cesário Verde...
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