por
nuno Severiano
teixeira
Professor universitário
Quatro anos depois a América continua dividida. Quiçá, mais dividida que nunca. Apesar disso, o Presidente não carrega consigo o fardo de há quatro anos. Ganhou as eleições nas urnas. E não em tribunal. Ganhou por uma margem estreita, mas com clareza em todos os planos: ganhou no voto popular e no voto eleitoral, reforçou a maioria no Senado e teve ganhos nos Representantes.
No plano interno, Bush governará uma nação dividida, mas com toda a legitimidade democrática. No plano internacional, sabe que não terá a simpatia das opiniões públicas, nem o favor de muitos dos líderes mundiais, mesmo entre aliados.
Que significado terá para o mundo a vitória de Bush? Como será o segundo mandato? Esta é a questão que tem alimentado a especulação internacional e que hoje ganha o da realidade.
O primeiro cenário é de mudança. Bush poderá aproveitar a oportunidade para reconhecer e corrigir os erros do passado e afastar os sectores mais radicais da administração, cuja influência o conduziu a situações internacionalmente desastrosas como o Iraque. Quer isto dizer, inflectir a visão neoconservadora da ordem internacional e a regressar ao realismo clássico da política externa americana desde o segundo pós-guerra. O segundo mandato seria, assim, mais moderado e menos unilateral.
O segundo cenário é de continuidade ou mesmo de radicalização. Legitimado pela vitória eleitoral, Bush interpretará essa vitória como a confirmação popular das suas políticas, em particular da política externa e da luta contra o terrorismo, que o tornou Presidente no primeiro mandato e o reelegeu para o segundo. Porque haveria agora de mudar?
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