por
elsa costa e silva
A boa posição no ranking das escolas está associada à frequência de explicações e a pais licenciados. Um estudo em quatro escolas do distrito de Aveiro mostrou que, por exemplo, a escola classificada em 4.º lugar no ranking nacional tinha uma percentagem de 72 por cento de alunos com explicações e mais de 40 por cento de pais diplomados. Pelo contrário, na escola posicionada em 506.º lugar, menos de metade dos alunos tinha apoio de professores fora das aulas e apenas 19 por cento dos pais tinham passado pelo ensino superior.
Os resultados desta investigação «exploratória» - realizada, através de questionários a perto de mil alunos, por António Neto-Mendes, Jorge Adelino Costa e Alexandre Ventura, da Universidade de Aveiro - vêm assim dar dimensão científica a algumas preocupações manifestadas por vários especialis- tas na altura da publicação dos rankings. Podem as classificações obtidas em exame resultar de factores exteriores às aulas, nomeadamente de «bons explicadores», e não de «boas escolas»? Esta é uma das dúvidas levantada pelos autores da investigação, que apontam ainda o facto de vários estudos terem enfatizado «a importância do capital económico, social e cultural dos pais no apoio à escolarização dos seus filhos».
Assim, «constata-se que as escolas cuja percentagem de alunos com explicações é mais elevada do que nas restantes são aquelas em que os pais têm cumulativamente o nível académico mais elevado». A que não será alheio o facto de estes serem encarregados de educação com mais capacidade de «descodificar as práticas e as políticas escolares». Por outro lado, é igualmente interessante verificar que «a quase totalidade dos alunos do 12.º ano cujo pai ou mãe possua um curso superior pretende prosseguir os seus estudos». O objectivo desta investigação era «perceber as influências que estes indicadores de análise, claramente exógenos a experiências educativas proporcionadas pelos estabelecimentos de ensino e pelos seus professores, poderão ter nos resultados obtidos pelos alunos nos exames do 12.º ano». Para José Alberto Correia, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, estes resultados «não surpreendem» e podem ser generalizados à maioria das escolas. Parece cada vez mais evidente que, «mais do que a qualidade dos professores e das escolas, é o consumo de explicações que determinam os resultados do ranking das escolas». O recurso ao apoio extra-aulas pode ainda ser visto «como o reconhecimento por parte dos pais que a escola pouco ensina».
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