O Diário de Notícias é uma instituição. Parece um lugar-comum reafirmá-lo. E, no entanto, não o é. Fundado há 140 anos, a vida deste jornal é parte da história de um País, um registo vivo e multifacetado de quase século e meio da caminhada de um povo. Uma vida que presenciou mudanças de regimes e de sistemas políticos, ultrapassou posicionamentos culturais e sociais diversos, atravessou períodos de luta e de tranquilidade. Que sobreviveu à ditadura e, como a comunidade, ganhou a batalha pela democracia e pela liberdade. Neste seu já longo tempo de existência, o DN afirmou-se e permaneceu como marco inegável e indispensável do debate político, social e cultural. E, mesmo nos mais difíceis momentos, como referencial de credibilidade. E é assim que o DN vai continuar a ser, porque esse é o seu compromisso essencial com o leitor: noticiar o que tem de ser noticiado, de uma forma honesta, sem querer causar danos a ninguém, mas sem temer desafiar quem quer que seja - em nome da verdade que deve ao leitor. Respeitando, cada dia, o princípio de que a notícia é sagrada e a opinião livre - e plural. Mas, tal como em outras instituições, tal como na sociedade, tal como nas famílias, o percurso de um jornal é feito de momentos mais ou menos difíceis, de crise e de debate. E de superação. O DN passou por isso tudo, nestes últimos dias, e isso tudo ultrapassou. E mantém o rumo de sempre: o compromisso sério com o leitor, com a liberdade, com a busca da verdade. Na sua linha editorial e noticiosa, o DN não terá outros amos. Não é, nem será, pássaro de asas cortadas. E, muito menos, escravo de governos, de oposições, de partidos, de interesses privados. Respeitará o contraditório, a diversidade das fontes, não centrará a notícia no umbigo do jornalista - mas sim no cerne da sociedade de que é espelho e a que se dirige. Ouvirá todos e a todas as vozes dará guarida. Esta é a herança que, em tempo de liberdade, o DN assumiu. Esta é a herança que o DN quer e vai preservar. José Manuel Barroso
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