Amanhã, o Parlamento Europeu vai votar a investidura da nova Comissão presidida por Durão Barroso, que entra em funções oficiais a 1 de Novembro e, por agora, apesar de um fim-de-semana marcado por intensas negociações entre os grupos parlamentares, apenas o PPE está firme no seu voto aos novos comissários. Barroso quer uma maioria sólida e abrangente, como aquela que obteve na sua indigitação, mas a polémica em torno do comissário italiano não está a facilitar esse consenso. Já foi pedido a Durão que afaste Buttiglione, pela insensatez das suas declarações sobre o papel da mulher e a homossexualidade, mas uma posição desse tipo, nesta fase, seria um golpe profundo na firmeza e credibilidade do novo presidente da Comissão. As negociações de bastidores visam assegurar que Barroso chame a si algumas das responsabilidades mais críticas do novo comissário, ganhando tempo para uma mudança a prazo, mas nem assim parece estar criado um consenso alargado entre os grupos mais importantes do Parlamento Europeu. Durão é um resistente, que dificilmente verga a pressões, mas também lhe convém, logo na votação de investidura, que não exista um primeiro sinal negativo. Amanhã vai perceber-se a inclinação do PE, e dos socialistas, mas uma prova de boa vontade de todos seria dar a Durão Barroso a oportunidade de arrancar com tranquilidade um mandato difícil, complexo e cheio de desafios. A nova Europa, a 25, não está em fase de sofrer agitações e mais problemas.
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