por
Mário
Bettencourt Resendes
Jornalista
Durante a dúzia de anos em que dirigi o DN fui confrontado com algumas tentativas de pressão por parte de vários poderes, nomeadamente o poder político. O mesmo aconteceu - e, por certo, continuará a acontecer - com outros responsáveis editoriais que respondem por meios de comunicação social influentes.
Não tenho a pretensão de um registo de comportamento heróico. Muito mais mérito é devido, por exemplo, a Mário Mesquita, que foi director do DN num período particularmente difícil, em que o jornal pertencia ao Estado e quando o Governo em funções não dava mostras de tolerar a independência crítica da direcção deste diário.
Pela minha parte, procurei sempre combinar equilíbrio e bom senso - incluindo alguns compromissos em questões acessórias - com a intransigência nos princípios fundamentais. Como se percebe, isto só foi possível porque encontrei sempre, durante o meu «mandato», desde Março de 1992 até Outubro de 2003, o respaldo indispensável por parte dos accionistas da empresa proprietária e dos seus representantes na gestão quotidiana - e não concebo hoje outra forma de intervir, a este nível, numa «área de negócio» tão sensível.
Num cenário desse tipo, é mais fácil transmitir ao conjunto da Redacção a confiança e a margem de manobra indispensáveis a um trabalho rigoroso e credível.
Vale a pena elaborar um pouco mais sobre as pressões dos poderes políticos, venham do Governo ou da oposição. Há casos que, em boa verdade, não podem sequer ser classificados como «pressões», mas apenas como solicitações ou tentativas de sensibilização para a suposta importância de um acontecimento ou de um discurso. Muitas vezes tinham substância e até se enquadravam na «dialéctica» da relação entre jornalistas e fontes que, desde que gerida com as devidas cautelas, permite alguma vantagem competitiva no mercado altamente concorrencial que hoje se vive no sector dos media.
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