por Jorge Fiel
Os jornais nasceram com um modelo de negócio simples: vendiam palavras aos leitores e leitores aos anunciantes.
A rádio e a televisão forçaram os jornais a adaptar-se à concorrência de meios mais rápidos e atraentes (acrescentavam som e imagem) e que introduziram uma variante ao modelo de negócio, pois viviam apenas da publicidade, uma indústria que cresceu exponencialmente num século em que crédito e consumo foram os motores do boom económico.
A televisão tornou-se uma meca para as marcas sequiosas de contactar com consumidores ávidos de gastar dinheiro.
Os patrões dos jornais (mesmo os que sabiamente construíram grupos multimedia) nunca esconderam uma pontinha de inveja por um negócio que não estava dependente dos humores dos leitores, um conceito que os novos meios substituíram pelo de audiências - mais adequado, porque para consumir rádio e televisão não é imprescindível saber ler.
A revolução da Internet (que para chegar a 50 milhões de pessoas só precisou de quatro anos, contra os 13 da televisão e os 38 da rádio), com informação gratuita à distância de um clic, foi a gota de água que levou os patrões de imprensa a sacrificar o leitor no altar das audiências.
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