por
CATARINA ALMEIDA PEREIRA
Segurança Social. Portugal é o país europeu com maiores incentivos para quem decidir, no futuro, trabalhar mais dois anos. Mas o prémio não compensa a quebra nas pensões. Quem se reformar em 2046, vai receber 71% do último salário líquido, em vez de 91%. É o terceiro maior corte na União Europeia
Portugal é o país da União Europeia onde os incentivos para permanecer mais dois anos no mercado de trabalho serão mais elevados, revela um relatório da Comissão Europeia. O prémio não é, contudo, suficiente para anular a quebra que as novas regras vão provocar nas pensões dos portugueses, uma das mais acentuadas dos 27 países da União Europeia.
O Relatório Conjunto sobre a Protecção Social e a Inclusão Social, um dos documentos ontem discutido em Bruxelas, mostra que os portugueses com uma carreira de 40 anos que se reformarem aos 65 anos em 2046 vão receber uma pensão que corresponde, em média, a 71% do último salário líquido. É a chamada taxa de substituição, que, quando comparada com o salário bruto, vai ficar pelos 54,7%. Poderão estar nesta situação os jovens de 20 e poucos anos que estão a entrar no mercado de trabalho.
Com as regras de 2006, os valores eram mais generosos, mostram dados confirmados pela Comissão Europeia ao DN. Os pensionistas recebiam 91% do último salário líquido e 75% quando a comparação se refere a valores brutos. A diferença provocada com as novas regras, de menos 20 pontos percentuais, é a terceira mais elevada dos 27 países da União Europeia. Só a República Checa e Malta apresentam um corte mais alto (ver gráfico).
Bruxelas prevê que a proporção da população europeia com mais de 65 anos suba de 17,1% para 21% em 2020. Neste contexto, o prolongamento do número de anos de trabalho é o "principal caminho" para "assegurar, ao mesmo tempo, a sustentabilidade dos sistemas de pensões e um adequado nível de rendimento".
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