por
LUÍS NAVES
Guiné-Bissau. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineenses, Tagmé Na Waié, e o presidente Nino Vieira, foram ontem mortos em atentados separados. Os dois homens mantinham forte rivalidade há vários anos. Ontem, a situação era calma na capital e o Governo eleito estava em funções
Nino Vieira esteve no poder um total de 23 anos
A Guiné-Bissau perdeu ontem os dois homens mais poderosos do país, o presidente Nino Vieira e o chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, ambos vítimas de ataques separados, durante a noite. O general morreu num atentado à bomba contra o próprio Estado-Maior, ainda domingo, acção que fez vários mortos e feridos e que destruiu parcialmente o edifício. Horas depois, forças leais a Tagmé atacaram a casa do presidente.
A explosão que matou Tagmé ocorreu quando o chefe do Estado- -Maior subia as escadas que levavam ao seu gabinete. Nino foi morto a tiro, quando tentava fugir. A mulher, Isabel Vieira, ficou ilesa e refugiou-se na embaixada de Angola. Antigo guerrilheiro na guerra colonial, Nino Vieira esteve no poder um total de 23 anos. O presidente tinha 69 anos.
Um comité militar formado após os atentados assegurou que não se tratara de um golpe de Estado. O porta--voz deste comité, capitão de fragata Zamora Induta (ex-ministro da Defesa), explicou que os militares garantiam a ordem constitucional e continuavam submetidos ao poder civil. Zamora admitiu que os homens que mataram Nino eram próximos de Tagmé.
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