por
JOÃO PEDRO HENRIQUES
Congresso do PS. José Sócrates abriu ontem os trabalhos em Espinho explicando que uma das razões que o levou a recandidatar-se a primeiro-ministro é a necessidade de "travar um combate decisivo" pela "decência na vida democrática". "Querem uma democracia assim?", pergunta aos portugueses
José Sócrates quer levar o caso Freeport a votos nas próximas legislativas. Disse-o ontem, implicitamente, no discurso com que abriu, em Espinho, o XVI Congresso nacional do PS. Explicando as razões que o levaram a recandidatar-se, afirmou: "Há um combate decisivo a travar pela decência na nossa vida democrática." "Também estou aqui para que não vençam aqueles que fazem política da calúnia, da difamação e dos ataques pessoais", afirmou - e foi este o passo do seu discurso que a plateia mais aplaudiu, levantando-se.
Sem usar a expressão "caso Freeport", era no entanto só deste caso que o líder socialista falava: "Não podemos consentir que a democracia se torne no terreno propício para as campanhas negras." E prosseguiu: "Os que não me conseguiram vencer tudo fizeram para atacar a minha honra e a minha dignidade." O resultado, acrescentou, é que "a verdade acabou sempre por vir ao de cima."
Por outras palavras, "é preciso perguntar aos portugueses: querem uma democracia assim?". Sócrates citou ainda o poeta Ramos Rosa (em defesa de uma "liberdade livre") e rematou levantando de novo a plateia, citando um velho slogan (e um verso de Zeca Afonso na Grândola Vila Morena: "Quem governa é quem o povo escolhe. Não é um qualquer director de jornal nem nenhuma televisão nem nenhum cobarde que se entretém a escrever cartas anónimas. Quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena!".
Sócrates iniciou o seu discurso saudando "todos os militantes do PS" e agradecendo-lhes "a solidariedade permanente, absolutamente sem falhas". "Eu nunca me senti só. Nunca me faltou o apoio do PS."
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