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'Favela dos ricos' é zona de risco para casas

por

SUSANA PINHEIRO, Braga

PAULO JORGE MAGALHÃES  

Braga. Na Encosta do Bom Jesus concentram-se, de forma desordenada, moradias de luxo numa área de perigo, segundo um estudo de Miguel Bandeira, geógrafo da Universidade do Minho

"Se a construção indiscriminada de casas continuar na Encosta do Bom Jesus, em Braga, particularmente sobre as linhas de água, esta pode, a médio prazo, tornar-se uma área de risco de consolidação das próprias habitações." O alerta é deixado pelo geógrafo Miguel Bandeira, no âmbito de um estudo preliminar desenvolvido na Universidade do Minho sobre a "favela dos ricos", como designa aquela zona da cidade devido à intensa concentração, em declive, de moradias de luxo.

"O caso mais grave", para o geógrafo, diz respeito a 12 habitações que foram construídas em cima de uma linha de água, na freguesia de Nogueiró. "É uma zona de grande inclinação, na Encosta do Bom Jesus, onde a concentração de construção é maior", explica Miguel Bandeira, co-autor deste estudo juntamente com o sociólogo Carlos Veiga e a arquitecta Patrícia Veiga.

À parte esta zona, Miguel Bandeira avisa que "a maior parte [da Colina do Bom Jesus] não era solo recomendável para urbanização porque construir em declives acentuados agrava os riscos provocados pela erosão pluvial". Tudo porque, explica, "ao fixarem-se em cima do traçado que as águas da chuva naturalmente fizeram, as construções obrigam-nas a infiltrarem-se por outros caminhos". Mais, adverte, "como o solo está impermeabilizado, há mais água a correr à superfície com mais energia para levar tudo pela frente".

Apesar de "não ser um risco iminente", o geógrafo avisa que, a médio prazo, a artificialização de antigas quintas rurais, com consequentes "desordenados" loteamentos de luxo, pode tornar-se uma dor de cabeça para os moradores. Em causa está o risco de "desprendimentos de terras e inundações", além de muros abatidos, fissuras nas paredes das casas, anexos destruídos ou até mesmo caves inundadas de lama.


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