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MANUELA PAIXÃO, Roma
Itália. Pressionado pelo Vaticano e pela conferência episcopal, o Governo italiano deve aprovar hoje em Conselhos de Ministros um decreto-lei que visa impedir a morte de Eluana Englaro, há 17 anos em coma. Mas o Chefe do Estado, Giorgio Napolitano, já anunciou que pode vetar este diploma
Governo contraria decisão do Supremo Tribunal
Silvio Berlusconi deve apresentar hoje, em Conselho de Ministros, um decreto-lei que perpetua o estado vegetativo de Eluana Englaro, há 17 anos em coma. Isto para satisfazer o Vaticano, a conferência episcopal italiana e a opinião pública católica.
"O Governo não pode ignorar as pressões e solicitações da Igreja", declarou, sem rodeios, o primeiro-ministro, indiferente aos crescentes apelos dos defensores da eutanásia que têm utilizado este caso para tentarem legalizar a morte assistida em Itália. O caso pode terminar num braço-de-ferro entre o Executivo conservador e o Presidente da República, Giorgio Napolitano: o Chefe do Estado admite vir a vetar a lei, fazendo uso dos seus poderes constitucionais, como já tem confidenciado a vários dos seus colaboradores mais próximos.
Eluana está internada, em situação de morte clínica, no primeiro andar dos doentes geriátricos, em Udine, onde dois voluntários lhe dão banho e aplicam pomadas nas feridas desta mulher de 38 anos, naturais pelo facto de o corpo se encontrar inerme há quase duas décadas. São-lhe administradas terapias de hidratação e nutrição, a cargo de uma equipa de 12 pessoas - incluindo um médico e vários enfermeiros, todos externos.
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