por
VALENTINA MARCELINO
Segurança. É cada vez maior a pressão para o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, antecipar a divulgação dos dados da criminalidade de 2008. As estimativas, que apontam para um aumento, já chegaram ao Parlamento e a oposição acusa o ministro de ter medo dos números
Em 2008, a criminalidade violenta registou a maior subida dos últimos anos. As estimativas, ainda não oficiais, de várias fontes das maiores forças de segurança (GNR e PSP) apontam para um recrudescimento que pode atingir os 12%, no cenário mais pessimista, ou 8% no mais optimista. Estas previsões são tanto mais graves porque em 2007 tinha havido uma descida de 10,7%. No ano anterior, 2006, o aumento foi de apenas 2%, em 2005 houve uma descida de 3,3% e em 2004 tinha subido 3,4%.
A estratégia para responder à situação - politicamente muito complicada - foi o ponto principal de uma reunião esta semana, no ministério da Administração Interna (MAI), dirigida pelo ministro Rui Pereira. Estiveram presentes o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Mário Mendes, os directores nacionais da PSP e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o comandante-geral da GNR e os presidentes das autoridades de Protecção Civil e Segurança Rodoviária.
Rui Pereira teve dificuldade em convencer os chefes das polícias, bem como o próprio juiz Mário Mendes, a manter muito mais tempo o silêncio sobre as estatísticas. "Houve quem defendesse que era importante assumir os números, mesmo que ainda provisórios, apresentando ao mesmo tempo uma estratégia. Caso contrário, foi argumentado, corre-se o risco de aparecerem declarações desenquadradas que podem causar alarme", confidenciou ao DN um responsável.
O ministro tem-se escudado nos prazos legais, quando é confrontado com notícias sobre o aumento dos crimes. Foi o que fez quando, no passado dia 19, Mário Mendes, numa declaração inesperada, assumiu que a criminalidade tinha subido no ano passado. O secretário-geral contrariou o pacto de silêncio que Rui Pereira tinha pedido às forças de segurança. A ousadia do juiz desembargador irritou o Governo. O ministro apressou-se a corrigir, esclarecendo que o relatório de segurança interna e a estratégia para 2009 seriam conhecidas "até 15 de Abril". Já esta semana, foi a vez do director da PJ do Porto vir baralhar o plano da Administração Interna, quando declarou, numa entrevista ao JN, que o crime violento tinha aumentado, principalmente o grupal.
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