por
ALFREDO TEIXEIRA
Clandestino. A Clínica Mulher funcionava ilegalmente em Matosinhos e foi encerrada pela PSP, que deteve uma enfermeira e uma auxiliar de limpeza, apanhadas em flagrante delito
Na marquesa uma mulher tinha-se sujeitado a realizar um aborto, pensando que o estava a fazer dentro da legalidade e com todas as condições de segurança e higiene reunidas. Qual não foi o seus espanto quando três agentes da PSP do Porto, elementos femininos, entraram no consultório e detiveram a falsa médica e a sua auxiliar que, afinal, não era mais que uma empregada de limpeza. A Clínica Mulher, que há muito estava referenciada pela Direcção-Geral de Saúde por realizar interrupções voluntárias da gravidez de forma ilegal, foi encerrada desta forma na quinta-feira, em Leça do Balio, Matosinhos.
Em cima de mesas, os utensílios médicos, tal como bisturis, estavam muitos deles enferrujados. "O mais grave é que a mulher tinha sido submetida a uma anestesia geral e a clínica não possuía qualquer máquina de ventilação. Se o caso corresse mal não haveria qualquer hipótese de salvamento", afirmou ao DN o Comissário Rui Matos, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP que desencadeou a operação.
A acção foi desenvolvida após denúncia anónima através de e-mail enviado para a polícia, embora há mais de um ano a clínica de Leça do Balio estivesse referenciada após notícias surgidas na comunicação social. Também na internet a Clínica Mulher fazia publicidade aos seus serviços. "Pensamos que centenas de mulheres recorreram ao estabelecimento que não se encontrava legalizado e agora muita gente terá de ser chamada neste processo", acrescenta o comissário da PSP.
O sucesso da clínica é indesmentível e a polícia está convencida que as mulheres recorriam ao trabalho da falsa médica sem conhecer realmente a verdade dos factos. E desconhecendo até o facto de ali se realizarem abortos sem existir qualquer licenciamento. "De acordo com os documentos que encontrámos e após uma análise prévia vemos que largas dezenas de abortos eram realizados por mês. Na época do Natal a clínica foi muito requisitada", salienta Rui Matos. Os preços oscilavam entre os 450 euros para um interrupção até às 10 semanas de gravidez - prazo aceite pela lei referendada a 11 de Fevereiro de 2007 - mas o pagamento aumentava consoante o tempo de gestação. Uma mulher com 17 semanas teria de pagar dois mil euros para interromper a gravidez. As detidas foram presentes a tribunal e vão aguardar julgamento em liberdade. |
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