por
TIAGO PEREIRA, em Madrid
Música. A edição de 'No Line On The Horizon' está agendada para 2 de Março mas o DN esteve ontem em Madrid para conhecer as canções que o compõem. Em evidência: a coerência com os últimos registos, a paixão por fórmulas de outros tempos e novamente a presença de Brian Eno na produção
Há poucos dias, a estreia de Get On Your Boots, o single de avanço no novo álbum dos U2, tomou muita gente de surpresa. É um tema rápido, desafiante... Longe do hino imediato a que muitos se acostumaram à hora de chegar um novo álbum da banda. No Line On The Horizon, porém, está longe de ser um segundo AchtungBaby. É um álbum mais tranquilo que rápido (com electricidade em mais momentos que o single). Mais introspectivo que festivo. Ao nível do que nos habituaram e sem grandes surpresas.
Ontem, o fim de tarde fez dos U2 o assunto mais importante do momento entre representantes da imprensa ibérica, reunida em Madrid. Era um momento solene: a apresentação do novo álbum. A edição está marcada apenas para 2 de Março.
Nos corredores da Universal Espanha, depois de um "gracias pela vossa presença" e do stop que colocou um ponto final na sessão, trocavam-se poucos comentários mas anotavam-se as últimas impressões. Admiração e dúvida entre uns e outros e frases que jogavam pela defensiva. As opiniões ficavam guardadas mas recordavam-se algumas das palavras que os U2 confessaram recentemente à revista britânica Q: este é o álbum decisivo para a banda. E talvez o seja porque este é o reflexo de um conjunto de músicos que desejou regressar a tempos de maior apuro criativo. No entanto, esta vontade não implica revoluções e os novos temas deverão encaixar na perfeição com os mais recentes alinhamentos dos concertos do grupo.
No Line On The Horizon encerra com Cedars Of Lebanon, o melhor resumo para um disco que viaja entre paragens distintas. Escreve o pressrelease que as gravações passearam-se entre Marrocos, Dublin e Londres. O que escutamos não conta histórias de pop que descobriu agora sons exóticos. Mas diz-nos que este U2 voltaram a criar momentos de divagação ambiental (Fez), de teclas que se cruzam com as guitarras que Lillywhite procurou santificar em JoshuaTree (Unknown Caller), de pequenas aventuras de estúdio, com algumas referências a AchtubgBaby ou Zooropa.
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