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Dez anos de Casillas na baliza do Real

por

ELISABETE SILVA  

Real Madrid. Começou como prodígio, mas Casillas quase caíu perante a pressão. Três lesões de outros guarda-redes ajudaram o espanhol a tornar-se hoje no terceiro melhor do mundo

"A excelência que demonstra numa posição de tanta responsabilidade é muito pouco usual. Penso que é o grande destaque individual na nossa equipa." A frase é sobre Iker Casillas. Plena de actualidade, é certo. Porém, foi proferida por Vicente Del Bosque em 2000. Então, o jovem guarda-redes demonstrava qualidade que começava a afastar a desconfiança daqueles que viam na sua juventude um entrave a ser titular de um clube como o Real Madrid. Pouco depois, fez história: tornou-se no mais jovem guardião a participar e a ganhar uma final da Liga dos Campeões. Tinha 19 anos.

Iker Casillas prepara-se para cumprir dez anos à frente da baliza merengue. Só numa época "tremeu". As suas fracas exibições, que resultaram muitas vezes em golos sofridos que eram de sua responsabilidade, provocaram a perda da titularidade e o início das dúvidas se Casillas era mesmo o guarda-redes de futuro no Real. Soube aguentar a pressão, suportar as críticas e esperar, confiante como sempre, pelo momento do seu regresso.

Estreou-se porque Bodo Illgner lesionou-se (em 1999) e foi novamente uma lesão, desta feita de César, que lhe ofereceu a segunda oportunidade - decorria o ano de 2002 - que clamava. Em plena final da Liga dos Campeões, o guarda-redes lesionou-se. Casillas foi chamado e foi importante na conquista de mais um título europeu em ano de centenário do clube. Nunca mais perdeu o lugar.

A história escreveu-a com muitos títulos e com uma gradual consagração que, aos 27 anos, o colocam como o terceiro melhor guarda-redes do mundo, segundo o ranking da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. À sua frente só estão Peter Schmeichel (ídolo da adolescência de Casillas) - já retirado - e Gianluigi Buffon. O guarda-redes da Juventus está em actividade, mas poucos duvidam que o espanhol rapidamente vai ultrapassar o italiano.


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