por
ANA BELA FERREIRA
Violência. Um lusodescendente foi gozado durante anos na escola por ser rico. O caso vai ser agora julgado no Supremo Tribunal Inglês. Mas segundo a ex-conselheira das comunidades, a situação não é rara: há 30 queixas de estudantes portugueses que dizem serem vítimas de 'bullying'
John Thomson, um jovem lusodescendente a viver em Inglaterra, foi durante anos apelidado na escola onde estudava como "o pobre menino rico". Hoje, com 23, anos prepara-se para explicar ao Supremo Tribunal de Justiça, em Londres, o que sentiu por ter sido vítima de bullying (actos continuados de discriminação e violência) na escola.
A primeira sessão de julgamento está prevista para dia 4 de Março e John irá recordar ao juiz o dia em que tudo começou em 1996: tinha 11 anos quando convidou três amigos para irem a sua casa e eles descobriram que era rico. Começou a ser gozado e a família apresentou queixa, mas as agressões continuaram e John esteve cinco anos a sofrer em silêncio. Em 2001, tentou o suicídio numa viagem à Grécia, entrou em depressão e os pais decidiram mudá-lo daquela escola - a Berkhamsted Collegiate School, instituição privada de inspiração católica,
"Apesar de estar num colégio privado, tinha colegas com condições financeiras piores do que as nossas. Era considerado muito inteligente, muito bonito e muito rico", conta a mãe de John, Gracinda Thomson. Esta portuguesa, que casou com um britânico, acrescenta que tudo piorou quando os colegas do filho, da mesma turma, "descobriram que tinha a casa maior da zona". Moram em Berhkamsted, a 40 quilómetros de Londres.
Este caso não é o único entre a comunidade portuguesa no Reino Unido (ver texto ao lado). "Há muito anos um rapaz, que hoje é arquitecto, foi vítima de discriminação na escola porque vivia numa das zonas mais caras de Londres", explica Cristina Pinto, ex-conselheira das Comunidades Portuguesas no Reino Unido e Irlanda do Norte.
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