por
SUSETE FRANCISCO
TIAGO PETINGA-LUSA
Parlamento. Debate ficou ontem marcado por uma dura troca de acusações entre o primeiro-ministro e o PSD. Sociais-democratas dizem que José Sócrates enganou os portugueses sobre a autoria de um estudo sobre Educação. Primeiro-ministro responde que nunca disse que o estudo era da OCDE
José Sócrates reconheceu ontem que o estudo sobre Educação, divulgado publicamente na última segunda-feira, não é um documento oficial da OCDE, mas um relatório de "peritos internacionais independentes, que segue de perto a metodologia" da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. "Nunca disse que o relatório é da OCDE", afirmou o primeiro-ministro, acusado pelo PSD de enganar os portugueses sobre a autoria do relatório.
Foi o líder parlamentar social-democrata, Paulo Rangel, quem primeiro levantou a questão no debate quinzenal no Parlamento. "Induziu em erro os portugueses", afirmou, acusando o primeiro-ministro e os seu gabinete de fazerem "passar a impressão de que era um relatório da OCDE" - "Isto só tem uma palavra, faltar à verdade aos portugueses".
Na reacção, Sócrates também não poupou nas palavras, acusando o PSD de "desespero": "Os senhores não suportam o sucesso do País. O ataque que estão a fazer é apenas porque têm ciúmes e inveja". Evocando declarações de Manuela Ferreira Leite (que acusou a agência Lusa de ter enviado um jornalista a Espanha para ouvir os socialistas espanhóis sobre declarações suas, relativas ao TGV) Sócrates exigiu um pedido de desculpas. Não teve e carregou nas críticas: "Sempre desconfiei dos fariseus que andam sempre com a verdade na boca, mas na primeira oportunidade não hesitam em recorrer à mentira mais vil para atacar os adversários".
Sócrates entraria ainda numa troca de argumentos com o social-democrata Guilherme Silva, referindo que, no âmbito do Fórum Parlamentar Luso-Espanhol, o deputado assinou uma declaração a exortar os dois governos a avançar com o TGV, uma posição contrária à do PSD. O primeiro-ministro tem "falta de sentido de Estado", retorquiu Guilherme Silva, lembrando que participou na iniciativa na condição de vice-presidente do Parlamento.
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