A palavra "terrorista" já foi usada e abusada na nossa história recente. O Estado Novo procurou convencer os portugueses de que era contra bandos de terroristas e seus apoios internacionais. Os terroristas de então tornaram-se combatentes pela independência nacional, heróis da libertação, estadistas. Inversamente, na pretensa justiça do regime de Salazar e Caetano havia juízes que aceitavam como bons processos de actividades políticas ilegais construídos através da tortura infligida aos presos, sob orientação de um inspector da PIDE que se substituía ao procurador sem escândalo. Eram as leis de então, nos tribunais plenários deste país.
Há ainda muitos cidadãos que viveram isto. É por isso que devia merecer censura pública a ligeireza com que o bastonário da Ordem dos Advogados acusa a Procuradoria- -Geral de praticar "terrorismo de Estado".
Uma coisa é verificar se os mandados de busca, por exemplo, em escritórios de advogados, contêm todos os dados precisos que obriguem a limitar as acções de busca estritamente ao que está sob investigação. Como deverá acontecer sempre, obedecendo às práticas mais exigentes do Estado de direito. Outra coisa é descambar para o sound bite assassino com o resultado de causar escândalo e inflamar justicialismos. Em época de crise, não é disso que precisamos, por já termos suficiente o que nos inflame na realidade. Infelizmente, no caso de Marinho e Pinto, a contenção não é o seu forte. E, de tão repetido, o estilo é o homem.
Mudança" e "Sim, nós conseguimos" foram duas palavras de ordem da campanha de Barack Obama, que o novo Presidente reafirmou há oito dias, na tomada de posse. Nesse dia histórico não faltaram os Velhos do Restelo a anunciar uma "desilusão certa". Pois, talvez. Tendo em conta a esperança que o mundo deposita no jovem Presidente americano.
Mas também não é menos verdade que, apenas uma semana após tomar posse, Obama deu grandes sinais de mudança e de determinação para cumprir o prometido. E sem recorrer a subterfúgios.
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