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Empresa do primo que cobrou favor durou dois meses

por

CARLOS RODRIGUES LIMA  

Caso Freeport. A empresa que cobrou o favor ao Freeport, a Neurónio Criativo, foi registada em 2005 e só funcionou dois meses. Segundo um antigo funcionário, a sociedade nunca finalizou nenhum dos trabalhos em curso. Ao DN, tio de Sócrates garantiu que ainda não falou com o sobrinho

A empresa Neurónio Criativo, que pertenceu a Hugo Monteiro, primo de José Sócrates, só foi criada em 2005 e apenas durou dois meses. Foi para aquela sociedade que o primo do primeiro-ministro cobrou um favor junto do Freeport, pelo facto de o pai ter intermediado um encontro entre Charles Smith e José Sócrates, ministro do Ambiente à altura da aprovação do outlet de Alcochete. Porém, os indícios recolhidos na investigação apontam para que o tal correio electrónico tenha sido enviado em 2002.

Ontem, em comunicado Júlio Monteiro, depois de o seu outro filho, Nuno Monteiro, ter dito que não houve resposta ao tal e-mail, admitiu que o destinatário respondeu e até foi "agendada uma reunião" para ser apresentado um projecto de marketing à administração do Freeport. "Projecto esse que nunca foi aceite, tendo, posteriormente, sido seleccionado o projecto de uma outra empresa", adiantou Júlio Monteiro, tio de José Sócrates.

Noutro ponto do comunicado, Júlio Monteiro afirma que o seu filho Hugo Monteiro invocou o facto de ser seu filho e que "em tempos" ter demonstrado "disponibilidade" para transmitir a José Sócrates "uma situação anómala e absurda ligada ao Freeport". Ora, segundo informação que consta do Diário da República (DR), a empresa foi criada a 27 de Julho de 2005 e tinha como objecto a "organização, produção e realização de eventos, exploração de estabelecimentos de bebidas" e, entre outras, "a consultoria de marketing, comunicação e publicidade".

Em Setembro de 2005, de acordo com o DR, a empresa foi encerrada. A dúvida que, contactada pelo DN, Maria Almeida Teixeira, advogado de Júlio Monteiro, não conseguiu esclarecer é: o pedido ao Freeport é anterior a 2005, sendo que a empresa não estava constituída, ou se apenas neste ano, já com José Sócrates como primeiro-ministro, é que o favor foi cobrado?


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