por
Mário Soares
1 . Quando os leitores lerem este artigo no Diário de Notícias, a América do Norte, a Europa e o resto do mundo preparam-se para seguir, com natural curiosidade, a passagem de testemunho e o acto de posse do 44.º Presidente dos Estados Unidos: Barack Obama. Trata-se de um dia histórico: pela primeira vez um afro-americano entra e se instala, por direito próprio, dado pelo voto popular, na sala oval da Casa Branca. Mas mais do que isso: em nome da mudança e para assegurar a mudança, não só nos Estados Unidos, mas também nas relações da primeira potência mundial com o resto do mundo, com a ONU e com o outro pilar Atlântico, a União Europeia.
Obama chega à Casa Branca num momento de rara gravidade, dada a crise financeira e económica global - a que urge fazer face, com êxito e rapidez - perante excessivas expectativas e exigências, à frente de uma jovem equipa, que se crê inovadora, díspar, pragmática e pluripartidária, inspirada por um jovem Presidente, humanista, multirracial, patriota e que pretende renovar o "sonho americano", no melhor que tem: o pioneirismo e o idealismo político, social e ambiental, cujas referências principais são os grandes Presidentes Abraham Lincoln, o anti-esclavagista, e Franklin Roosevelt, o construtor do New Deal, que salvou a América da crise e, depois, foi o vencedor do militarismo japonês e do nazismo, grande propulsor da Carta do Atlântico e da criação das Nações Unidas.
Obama prometeu a mudança e vai empenhar-se a fundo em a realizar, aliás, essencial para vencer a crise. Não tenho dúvidas que conseguirá. Mas veremos como e até que ponto...
2. A União Europeia segue, obviamente, com a maior atenção, o que está a passar- -se na América do Norte. Mergulhada na pior crise de sempre - que os seus dirigentes políticos, com raríssimas excepções, aliás, não previram -, querem também a mudança, sem a qual, sabem, precipitarão os seus países na decadência. Mas, curiosamente, os seus dirigentes são os mesmos do passado, com as mesmas ideias, só parecem pensar na sua sobrevivência política, ou seja: querem mudar o mínimo possível para que tudo fique na mesma ou quase. O que é uma impossibilidade nos seus próprios termos...
Com efeito, na União Europeia tudo está a degradar-se, sem remédio. A crise está a aprofundar-se todos os dias. Os escândalos financeiros e as gestões fraudulentas, de bancos e grandes companhias, sucedem- -se. As medidas, até agora tomadas, para ultrapassar a crise, são casuísticas, e não obedecem a uma estratégia de conjunto nem, muito menos, concertada entre todos. Cada país trata de si e os outros que se arranjem... Não consta que tenha havido responsáveis da crise, em nenhum país, ou, se existem, escondem-se sob o silêncio cúmplice, à espera que a tormenta passe. Nada mudou no sistema. O povo europeu, que devia ser informado pelos responsáveis - visto que lhe pedem o voto -, não o é e a desconfiança cresce. Ora, é conhecido que a confiança é um elemento fundamental para combater a crise. Não existe. E nem sequer se promove a transparência quanto às medidas tomadas e os responsáveis pelo que aconteceu parece desejar-se que fiquem impunes...
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
FBI divulga ficheiro secreto sobre Steve Jobs
Assaltos a ourivesarias sobem enquanto se estuda fenómeno
Trabalhadores admitem regressar ao trabalho na 2.ª feira
Greve geral em resposta a novo plano de resgate
Assunção Esteves destaca diminuição do aborto clandestino
"Vergonhoso" não haver taxa para aborto recorrente
Idosos sobreendividados por ajudar filhos de meia-idade
1500 polícias desistem da farda em três anos
UE impõe condições para Grécia obter resgate
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
Seguro exige explicações de Passos sobre ajuda externa
Reajustamento da ajuda não está em cima da mesa
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN