por
PAULA SÁ
Comício. No primeiro comício da sua liderança, Manuela Ferreira Leite disse que o Governo instrumentalizou a agência de notícias, para fazer "queixinhas" aos espanhóis sobre o TGV. A direcção da Lusa acusou-a de "falsidade". E no partido as suas palavras foram consideradas mais uma gafe
Manuela Ferreira Leite voltou a causa má impressão em vários sectores do PSD, depois de ter acusado a agência Lusa de ter sido instrumentalizada pelo Governo por causa do TGV. Várias personalidades do partido, que não quiseram dar a cara às críticas, consideraram ao DN que a líder do PSD "foi muito infeliz" e afirmaram ser esta "mais uma das suas gafes".
Naquele que era o primeiro comício da sua liderança, sexta-feira à noite no Europarque de Santa Maria da Feira, Ferreira Leite afirmou que a Lusa enviou propositadamente a Espanha um jornalista para "ouvir os socialistas espanhóis" sobre o facto de ter dito, em entrevista à RTP-1, que se fosse primeiro-ministro riscava o TGV dos investimentos públicos. E retirou a conclusão de que "o engenheiro Sócrates vai fazer queixinhas aos socialistas espanhóis e vai-lhes pedir ajuda".
Pouco tempo depois a própria agência reagia em nota da direcção: "É uma acusação grave, falsa e profundamente injusta, que a Direcção de Informação da Lusa rejeita em absoluto." Ao DN, o director da Lusa, Luís Miguel Viana sublinhou que foi o correspondente da agência em Madrid, António Sampaio, quem elaborou a notícia ouvindo as principais forças políticas espanholas (Partido Popular e PSOE). "O jornalista fez a notícia seguindo os critérios de relevância pública, visto que há acordos entre Portugal e Espanha em matéria de alta velocidade. E a proposta de deixar cair o TGV partiu de uma candidata ao cargo de primeiro-ministro", afirmou, lamentando que a "agência tenha servido de arma de arremesso político".
Ainda na sexta-feira, no jantar que se seguiu ao comício, o vice do PSD Aguiar Branco tentou explicar a versão de Ferreira Leite. "O que quis mostrar claramente é que sobre uma matéria de política interna a preocupação foi de subserviência". Ontem, a direcção laranja voltou a lamentar que a agência Lusa" não tenha explicado os motivos pelos quais decidiu questionar a opinião dos partidos espanhóis em relação a uma matéria que diz respeito à política interna portuguesa."
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