por
SARA GAMITO
Selecção. Portugal tem os recursos técnicos, mas ainda não foi discutida a aprovação ética
A criança teria uma enorme probabilidade de desenvolver a doença
Nasceu ontem, em Londres, o primeiro bebé seleccionado geneticamente para não herdar um gene mutante que conduz ao desenvolvimento do cancro da mama. Em Portugal, tão cedo não será possível prevenir o cancro da mama desta maneira.
Manuel Teixeira, director do serviço de genética do Instituto Português de Oncologia do Porto, explica que "apesar de existirem os recursos técnicos para realizar este procedimento, a questão é muito recente e ainda não houve aprovação ética",
De facto, o atraso de Portugal, e do resto do mundo, "deve-se ao Reino Unido ter sido o primeiro país a aprovar o diagnóstico pré-implantatório para doenças tardias" revela o geneticista. Segundo Manuel Teixeira, esta é uma decisão polémica, porque a técnica que envolve seleccionar embriões, sacrificando parte deles, "para uma doença que só vai aparecer dentro de 20 ou 30 anos" levanta questões éticas. Por enquanto, os laboratórios nacionais limitam-se a intervir apenas quando existe uma história familiar de doenças, que surgem logo na infância, como a fibrose quística ou a doença dos pezinhos.
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