por
DIANA MENDES
Cancro do colo do útero. Hoje são abertas as propostas dos laboratórios para a vacina contra o papilomavírus humano. Três meses depois de ter escolhido a Gardasil, o ministério pressiona a empresa a baixar o preço. Vários especialistas referem que a mudança pode ser vista como discriminatória
O Ministério da Saúde decide hoje se vai mudar ou não a vacina do cancro do colo do útero que vai integrar o Programa Nacional de Vacinação. Três meses depois de ter optado pela Gardasil, a tutela quer pressionar o laboratório - Sanofi - a baixar o preço da vacina. "Caso não seja reduzido a um nível satisfatório, teremos de mudar", explica fonte da tutela. Os especialistas temem, porém, que as jovens e as suas famílias se sintam discriminadas. Afinal, a vacina adoptada é quadrivalente, tem uma eficácia mais abrangente e protege ainda contra os condilomas genitais.
As novas propostas dos dois laboratórios concorrentes, que serão abertas hoje na Administração Central dos Sistemas de Saúde, nada terão de diferente além dos preços a concurso, que valem 43% da pontuação, contra os 57% dos dados de eficácia e segurança.
Fonte da tutela esclarece, aliás, que estes dados se vão manter por três anos. Mas o preço tem de ser revisto anualmente, tal como está previsto no contrato", refere. Este ano, ainda por cima, serão adquiridas 400 mil doses, mais do dobro das negociadas no ano anterior. Se a Gardasil for escolhida, serão abrangidas mais de 133 mil raparigas em 2009.
Vários especialistas dizem não perceber a razão para iniciar novo concurso antes de um ano, como é habitual, mas ao fim de três meses. Nunca aconteceu num período tão curto, nem nunca se renegociou um contrato com vacinas completamente diferentes: uma quadrivalente e uma bivalente (a da Glaxo). No passado, já houve renegociação com a vacina da meningite, por exemplo, mas os três produtos existentes não eram distintos. A escolha era, por isso, feita apenas pelo preço.
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