por
LUMENA RAPOSO
Médio Oriente. No segundo dia da incursão terrestre israelita, a população da Faixa de Gaza - onde no total já morreram mais de 500 pessoas - procura fugir aos combates, enquanto as capitais mundiais continuam silenciosas, aguardando o resultado da missão da UE à região
"Nós trememos como as nossas crianças." Yehia Anis Hussein referia-se aos bombardeamentos de que a Faixa de Gaza é alvo há mais de uma semana e, em especial, desde o início da operação terrestre, no sábado, que cortou o território em três partes.
Habitante de Zeitun, bairro encravado entre a Cidade de Gaza e o antigo colonato judaico de Netzarim, agora reocupado pelos tanques israelitas, Hussein, que desabafa com o repórter da AFP, avança: "Antes desta ofensiva, era o bloqueio que nos matava. Esta situação é insuportável."
Insuportável porque, pela primeira vez, a Faixa de Gaza é objecto de uma operação sem precedentes: os ataques chegam do céu, do mar e da terra. As explosões continuam a suceder-se, lançando o terror entre as populações. A ONU já alertou para a "catástrofe" que ameaça uma população "encurralada, traumatizada, aterrorizada" .
No hospital de Gaza, o chefe dos serviços de urgência, Mouawiya Hassanien, dá conta das vítimas que a operação já provocou. "O número de mártires [mortos] atingiu os 512, destes 87 são crianças; e os feridos são mais do que 2450." Entre os mortos está também Muhammad Hilou, que era responsável pelas forças especiais do Hamas em Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza.
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