por
DAVID BORGES
Acordo Ortográfico. As novas normas da escrita entraram legalmente em vigor no espaço lusófono no primeiro dia do ano. Mas a atitude perante este diploma varia muito nas duas margens do Atlântico: enquanto o Brasil começou já a aplicá-lo, Portugal hesita ainda sobre a data em que lhe dará uso
Em tempos que já lá vão, e noutra vaga reformista, ou "acordista", como se dirá agora, Teixeira de Pascoaes chorava o desaparecimento do "y", que lhe garantia a alvura e a pureza do lyrio e dava profundidade, escuridão e mistério ao abysmo… "Escrevê-lo com 'i' latino é fechar a boca do abysmo e transformá-lo em superfície banal", dizia, protestando.
Agora, porventura por razões também estéticas mas com uns pozinhos de patriotismo, há brasileiros barricados na defesa do seu querido trema e portugueses irredutíveis na defesa das suas ameaçadas consoantes mudas.
Fará cada um, brasileiro ou português, o que quiser, pelo menos neste tempo de transição, até 2012 no Brasil, até 2014 em Portugal, mas a reforma está já em marcha no maior país da CPLP, o Brasil, onde o acordo ortográfico se inaugurou com o novo ano e os grandes jornais nacionais, Globo, Estado e Folha de S. Paulo, logo adoptaram as novas regras do acordo, apesar da ausência de uma carta de navegação, prometida para Fevereiro.
E não se tratará de um mapa comum, mas de um VOLP - descodificando: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Edição brasileira, com previsível distribuição maciça logo que esteja pronto, em Fevereiro. Sai para ser só brasileiro ou, pela inevitável lei do mais forte, para ser o de todos, porque… já está feito?
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