por
PAULA SÁ
Com EVA CABRAL
Ano Novo. Depois da mensagem muito dura sobre o Estatuto dos Açores, os socialistas acolheram com elogios as palavras do Presidente da República no Ano Novo. Manuel Alegre, que foi seu adversário nas presidenciais, aplaudiu o facto de Cavaco não ter alimentado ilusões aos portugueses sobre 2009
O tom dos comentários do PS e do Governo à mensagem de Ano Novo do Presidente da República mostra um grande alívio após a tensão gerada pela intervenção de Aníbal Cavaco Silva sobre o Estatuto dos Açores. "Voltou no dia 1 de Janeiro aos discursos de Estado", sublinha ao DN o deputado Osvaldo de Castro, a voz socialista mais crítica perante o "tom" e o "estilo" usado pelo Chefe do Estado quando se dirigiu aos portugueses, dia 29 de Dezembro, para lhes falar da falta de "lealdade" do Parlamento, do PS e do Governo, ao tocarem-lhe nos poderes presidenciais no polémico diploma.
"Pareceu-me uma mensagem preocupada com a situação económica do País , absolutamente rigorosa", afirma agora Osvaldo de Castro sobre as palavras de Cavaco no primeiro dia de 2009. Na opinião do presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, "o PR falou também de esperança aos portugueses e tentou recuperar a posição de rudeza que tinha assumido perante os outros órgãos de soberania" por causa do Estatuto dos Açores.
Idêntica visão é partilhada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares. À TSF, Augusto Santos Silva considerou as palavras de Cavaco Silva "muito adequadas" e até aplaude três passagens do discurso. A que alerta a "consciência dos portugueses" para as dificuldades de 2009, a que lhes dá "esperança" de as ultrapassar e a que apela à mobilização de todos os políticos para o combate à crise. E acrescenta que também os representantes do sector empresarial e dos sindicatos deveriam ser envolvidos nessa mobilização, com vista a "centrar o debate nos problemas essenciais do País e nas propostas que cada um apresenta para os resolver".
Até Manuel Alegre, que costuma ser a voz dissonante do PS, afirma no seu site que a mensagem de Cavaco "teve o mérito de dizer o que tem de ser dito, de falar verdade, de não alimentar ilusões. Sublinhou os problemas reais e as dificuldades com se debatem os portugueses". Apenas faltou, escreve Alegre, "explicar o porquê desta crise a nível mundial e nacional."
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