por
Pedro Adão e Silva
Politólogo
A expectativa em torno da mensagem de Ano Novo do Presidente era grande. O tom inusitadamente violento da última comunicação ao país deixou um espectro a pairar sobre as relações entre Belém e São Bento. À comunicação de segunda-feira faltou o corolário lógico - um último parágrafo a anunciar a dissolução da Assembleia. Depois disso, a dúvida era saber se Cavaco Silva usaria a mensagem para dar mais um passo de ruptura ou retomaria os termos da cooperação estratégica.
A mensagem foi um misto de concórdia institucional com um discurso de "Rainha de Inglaterra", que ninguém hesita em subscrever. O reconhecimento pelo Presidente de que é preciso que os agentes políticos deixem de lado querelas que não interessam aos portugueses e se centrem nas verdadeiras prioridades (os temas económicos e sociais) combinado com as referências às nossas debilidades estruturais (ex. o endividamento externo) é disto exemplo.
Resta saber se estamos perante um interregno na ruptura, em que uma eventual dissolução fica à espera de pretexto, ou se, pelo contrário, estão a ser dados passos para reinventar a cooperação estratégica, adequando-a ao contexto de crise. Na verdade, a cooperação é agora mais necessária do que no passado. O que responsabiliza Presidência, mas, também, naturalmente, Governo e Assembleia. Os portugueses não compreenderiam se fosse aberto outro conflito estéril.a . |
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